quarta-feira, 21 de junho de 2017

Comunidades de Leitores: o que é isso?

No texto “Comunidades de leitores”, Maria De Lourdes Dionísio explora teoricamente que é esta “modalidade coletiva de leitura”. Publicado o Glossário CEALE, leia aqui, na íntegra, o texto produzido pela professora do Instituto de Educação da Universidade do Minho – Portugal.

“Uma busca rápida em qualquer site de pesquisa devolve-nos milhares de referências a comunidades de leitores. São blogues de pessoas singulares ou coletivas, convites de clubes de leitura, anúncios de eventos em bibliotecas e até publicidade de editoras e livrarias. Nesse sentido, uma comunidade de leitores consiste num grupo de pessoas que se reúne periodicamente para debater obras previamente acordadas, sugeridas ou não por um coordenador, muitas vezes uma pessoa de renome – por exemplo, um escritor. É frequente também o alerta para o fato de não se pretender, nesses encontros, discutir conhecimento acadêmico ou desenvolver análises textuais profundas. Tão simplesmente é uma modalidade mais ativa e social de promoção da leitura e do livro.
Nos fundamentos dessa modalidade coletiva de leitura, alimentada pela cumplicidade, os participantes nem sempre detêm todos o mesmo conhecimento sobre o tema ou a obra. Nesse processo, encontram-se duas perspectivas: a natureza dos processos de construção de sentidos e a aprendizagem. Quanto à construção de sentidos, as comunidades de leitores são devedoras da noção de que os sentidos que construímos sobre os textos são partilhados por comunidades interpretativas: entidades públicas e coletivas compostas por todos aqueles que detêm uma mesma estratégia de interpretação ou um mesmo modelo de produção de textos.
Quanto às teorias de aprendizagem, nessas comunidades interpretativas ou comunidades de prática, aprendem-se, desenvolvem-se e ativam-se modelos culturais: teorias tácitas e cotidianas de um dado grupo que definem o que é típico e normal do ponto de vista desse grupo. No caso da leitura, e pelo ato de participação, os membros do grupo aprendem as mesmas categorias de compreensão necessárias à interpretação de um texto, os comportamentos oficialmente sancionados e culturalmente aceitos quanto ao que deve ser uma leitura apropriada, a resposta do leitor e até o que é um texto válido.
As semelhanças entre a natureza situada da aprendizagem nessas comunidades de prática e as comunidades de leitores, também elas caracterizadas pela interação social, pela prática colaborativa e construtiva, têm estado na origem da sua mobilização para a escola. Ao serem envolvidos nas comunidades de leitores – com aprendizes e especialistas à volta de uma vasta gama de recursos autênticos de leitura, em que os próprios interesses dos aprendizes também têm um papel – os alunos e as alunas vivem condições de excelência para o desenvolvimento de repertórios de saber mais alargados sobre o mundo, a língua e a literatura, seus valores e papéis mas, sobretudo, de modos próprios de ser leitor, ou seja, da identidade letrada.
Concebida como espaço em que leitores mais ‘imaturos’ se vão desinibindo à medida que discutem com ‘especialistas’ (ou só ouvem discutir), o potencial da comunidade de leitores gerada na escola irá tanto mais longe quanto mais ela se alargar para além da aula ou da biblioteca. Com efeito, a criação e manutenção de uma comunidade em contexto escolar supõe o envolvimento de outras comunidades, como a família e outras do entorno mais vasto da escola.
Fazendo viver a leitura como uma experiência verdadeiramente social, as comunidades de leitores potencializam caminhos que não se esgotam nos encontros presenciais regulares. O sentimento de pertencimento ou de pertinência a tais comunidades é uma das principais contribuições dessas práticas e condição suficiente para a formação de leitores competentes e duradouros”.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Sala de leitura na página da UFPel: visibilidade

UFPel promove a Semana do Gostar de Ler

A Sala de Leitura Erico Verissimo, da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Pelotas (FaE/UFPel), está desenvolvendo uma série de eventos em junho. Na semana de 19 e 23, haverá, todos os dias, um pequeno evento: é a Semana do Gostar de Ler. Os eventos são abertos e gratuitos.
Aula pública, estudo de obra e leitura para crianças estão entre as atividades programadas. A Sala de Leitura Erico Verissimo fica no andar térreo do Instituto de Ciências Humanas (Rua Coronel Alberto Rosa, 154).
Programação:
19/06 – Publicação no Blog da Sala de Leitura Erico Verissimo dos resultados da pesquisa “O que são ‘coisas de mulher’?”. A investigação e seus resultados integram a formação das estudantes de Pedagogia e se insere na micropolítica “Leituras para Meninas”, desencadeada em março deste ano.
20/06 – Aula Pública de Literatura Infantil. Tema: “A invenção da literatura infantil no RS: João Simões Lopes Neto e Erico Verissimo”. Local e hora: Sala 103, Térreo do ICH/UFPel, das 9h às 11h
21/06 – Estudo da obra “A Zeropéia”, de Herbert de Souza. A obra é considerada um marco da “literatura infantil para pensar”. O estudo visa aprender a apresentar “A Zeropéia” às crianças entre dois e 11 anos. A ministrante será a professora Cristina Maria Rosa. A atividade será na Biblioteca da E.E.E.F. Fernando Treptow, das 9h às 11h
22/06 – Leitura para crianças: o Grupo de Estudos em Leitura Literária (GELL) visita a Escola Municipal de Educação Infantil João Guimarães Rosa.
Local e hora: Avenida Herbert Hadler, 1.310 – Fragata, das 9h às 11h
23/06 – Leitura Literária na Sala de Leitura: o GELL recebe as crianças do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) Vida Ativa. Local e hora: Sala de Leitura, das 9h às 11h
A Sala de Leitura e a formação do leitor literário
As micropolíticas de leitura literária desencadeadas pela Sala da Leitura buscam aproximar universitários dos livros e do gosto por ler, além de estabelecer contato profícuo com a escola e os futuros leitores.
Integrada à Pedagogia, a Sala de Leitura é um espaço de exercício qualificado dos saberes literários como saberes docentes e pauta-se pelo argumento de que a formação do mediador literário é estruturador e primordial no exercício cotidiano da docência, nos anos iniciais da escolarização.

domingo, 18 de junho de 2017

Enquanto o sono não vem...

Ao abordar um assunto polêmico – a retirada do Enquanto o sono não vem, de José Mauro Brant – Celso Gutfreind[1] defende “dizer a verdade e contar uma boa história” em interessante artigo publicado neste fim de semana no Caderno PROA de Zero Hora. Leia aqui, na íntegra:

"Do que se pode falar na literatura infantil?"
Celso Gutfreind
Ao abordar um assunto polêmico como a retirada de um livro do currículo escolar, ocorre-me um ensaio do escritor israelense Amos Oz. Chama-se Como Curar um Fanático. No olho do furacão de outra grande polêmica, o romancista declara que o problema de um fanático é a certeza. Não é para fanáticos a escolha de um repertório literário para o público infantil. Para acompanhar as minhas dúvidas, recebo a visita de alguns ficcionistas disfarçados de psicólogos. Wilfred Bion pinçou, nas cartas entre o poeta John Keats e a irmã, um dos conceitos mais úteis para a psicanálise e a vida. Ele chamou de "capacidade negativa" o talento de suportar o tempo necessário em que não sabemos. Atropelá-lo com alguma certeza precipitada pode ser fatal para a capacidade de elaboração e conhecimento.
Mas uma espera também é feita de procura e, nessa hora, convém ler, ouvir, informar-se. À mesma época de Bion, Bruno Bettelheim foi fundamental para a retomada do interesse dos contos de fada junto às crianças. Na década 1970, pais e educadores ainda tinham um ranço com essas histórias repletas de terror e violência. Eles estavam convictos de que fariam mal. Bettelheim mostrou a importância delas para a vida emocional. Ao invés de provocar sequelas, elas proporcionam uma capacidade de lidar com os terrores, porque, através da história, a criança pode representá-los. E o que mais podemos diante da dor, da tristeza e da morte, senão falar sobre isso?
Bettelheim já não estava sozinho. Maud Mannoni foi outra que engrossou o caldo desse feijão de letras. Para ela, os contos tradicionais não eram piores do que aqueles que habitam normalmente a cabeça de uma criança. Censurá-los seria mostrar um desconhecimento da infância como ela é. E, pior, abrir mão de um instrumento fundamental como previra Bettelheim.
Não há, portanto, assunto a ser evitado com uma criança, especialmente se ela se interessa por ele, o que é mais frequente do que gostaríamos. Crianças costumam se interessar por todos os assuntos da vida, o que inclui a dor, o sexo, a morte. Por isso, espanta a retirada do livro Enquanto o sono não vem, de José Mauro Brant, das leituras aprovadas para alunos entre sete e oito anos. O motivo: um dos contos aborda o assédio sexual de uma menina por seu pai.
A questão já não é de conteúdo, mas de forma. Podemos e devemos ter dúvidas sobre o quanto Brant ou qualquer outro escritor da infância respeita em sua obra a construção de uma boa metáfora, justo o que a criança precisa para se sentir à vontade diante dos assuntos mais doloridos. Mas, se voltar a moda de censurar histórias pelo seu conteúdo, corremos o risco de abrir mão do que é mais sagrado no universo de uma vida: a verdade. E, por conseguinte, no universo da leitura, onde o que vale é uma boa história, banhada de ritmo e símbolos, arte capaz de fomentar sem ameaça o pensamento, o sentimento e, sobretudo, a imaginação. René Diatkine lembrou-nos de que nada pode ser mais saudável do que poder contar para si mesmo outra história.
Sei que não sou isento. Há anos venho abordando temas polêmicos em minhas histórias para crianças. Já falei de sexo e de morte para os bem pequenos e, com frequência, eu o fiz na contramão de pais e educadores. Acabo de publicar um livro chamado Monstros e Ladrões, que põe em cena a violência urbana de nossas cidades repletas de insegurança. O meu maior desafio continua sendo contar uma história com poesia, estrutura, sonoridade e humor. O livro faz parte de um projeto pedagógico chamado Tá Ligado, mas a minha responsabilidade como pessoa foi não mentir. E, como escritor, tentar fazê-lo com arte e capacidade simbólica suficiente para dissipar a crueza de alguma versão inapropriada. Aprendo muito com os contos de fada e suas tramas postas em um passado indeterminado e, assim, seguro.
Tenho dúvidas de se vai interessar a todas as crianças e quando o fará, já que necessidades são dinâmicas e individuais. Felizmente, tenho recebido a companhia de muitos educadores e pais que já não duvidam de algumas quase certezas: convém dizer a verdade e contar uma boa história pode ser a melhor forma de consegui-lo.



[1] O psicanalista e escritor Celso Gutfreind reflete sobre a retirada das escolas de livro para crianças com conto que aborda o incesto. Publicado em 16/06/2017.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Coisas de Mulher? Uma pesquisa...


Instigada por uma leitura que me foi apresentada recentemente e por uma expressão – coisas de mulher – que moveu Nadiéjda Krúpskaia a escrever um pequeno texto, decidi perguntar a meu grupo de contatos online o que são “coisas de mulher”.

Para Krúpskaia (1909-1910), “coisas de mulher” eram os trabalhos considerados “exclusivamente femininos”, como “costurar, cozinhar, lavar, cuidar de crianças”. Além disso, no artigo escrito no início do século XX, circunscreve os “pequenos cuidados” que se relacionavam com a “concretização de afazeres domésticos isolados” como “cozinhar o almoço, limpar a casa, remendar o uniforme, educar os filhos”, tarefas, que segundo seu modo de pensar, “merecem todo o respeito e de forma alguma, desprezo”.
Uma de suas críticas foi dirigia à imprensa que, de acordo com Nadiéjda, atribuía, exclusivamente à mulher, o trabalho doméstico. O argumento utilizado, então era de que o “lar” e a “vida familiar” era a “esfera” que melhor correspondia à “individualidade da mulher”. Assim, recomendava que a mulher deveria se preocupar em ser um “dona de casa exemplar”.
Para Krúpskaia (1909-1910), é evidente a hipocrisia contida nessa argumentação. Ela é enfática ao considerar que os homens “jamais se rebaixam a realizar o trabalho doméstico”, pois, “no fundo de sua alma”, consideram-no “coisa de seres menos evoluídos, possuidores de necessidades mais simplórias”.
Século XXI
Passados mais de 100 anos desse tempo em que Nadiéjda Krúpskaia denuncia, o que pensam mulheres e homens? O que seriam “coisas de mulher” em 2017? Se há “coisas de mulher” o que seriam estas “coisas” para quem é criança, jovem, estuda, trabalha, cria filhos e netos em plena “sociedade do desempenho” (HAN, 1959)?
Sem discriminação de gênero nem idade, enviei a pergunta a todo o meu grupo de contatos via WhatsApp. As respostas foram surpreendentes. A única ressalva na comunicação dos resultados foi indicar a opinião dos homens ao final.
Agradeço a todas as pessoas (familiares, amigos, alunas, colegas) que contribuíram. Com as palavras de todos vocês pude compor um mosaico muito interessante do que são “coisas de mulher”.
“Coisas de mulher”
Oscilando entre características culturais, comportamentais e biológicas e citando afazeres e trabalho em casa e na sociedade, as mulheres que responderam à pergunta refletiram a partir de si mesmas e do que observam a seu redor. Para elas, não há consenso na expressão “coisas de mulher” e um grupo considerável afirmou que não há essa distinção ou, ainda, que “não existem coisas específicas de mulher”, pois “a mulher pode tudo”. Algumas afirmaram que a expressão está em desuso, que não cabe mais em tempos com tantas demandas. 
 As respostas
“A única marca que carregamos em comum – todas nós mulheres – é a força interior que nos faz enfrentar toda e qualquer situação imposta pela vida”.
 “Absorventes, com certeza!”.
“Acho que a maternidade seja a única coisa que realmente ainda pode ser atribuída exclusivamente às mulheres”.
“Acho que envolve desde maquiagem a ciclo menstrual”.
“Acho que tem coisas que a mulher faz melhor. Mais delicada, com mais paciência”.
“Acredito que essa frase nos dias de hoje não exista mais. A mulherada está tão independente que coisas tipo shopping, cabeleireiro, manicure, são feitas por homens também, sem preconceito algum! Não existe mais isso de "coisas de mulher”, “coisas de homem”.
“Acredito que seriam certas roupas, maquiagem, mas têm coisas de mulher que homens usam e não vejo problema nisso!”.
“Acredito que tenha muito a ver com o tipo da mulher. Para algumas, pode ser um batom, unhas e cabelos bem arrumados. Para outras, uma tarde reunida com as amigas para bater um papinho gostoso, dar risadas e até chorar. Mas, no fundo, acredito ser um pouco de tudo isso”.
“Adoro essas perguntas! São coisas que mulheres fazem, gostam, usam de modo geral. O que elas quiserem!”.
 “Amorosidade no olhar, capacidade de colocar o outro no mesmo grau de importância de si mesmo e batom!”.
“Antigamente a carreira artística não era coisa para mulheres. Havia imenso preconceito e as mesmas eram tratadas como prostitutas. Hoje, as mulheres tem ampla aceitação e destaque e os homens tem liberdade de criação artística, desempenhando papéis de mulheres com naturalidade”.
“Aquelas com toques delicados, feitos com amor, suaves e apaixonantes, sem ter algo determinado ou listado do que é ou não é, mas tudo aquilo que a mulher toca deixa sua marca”.                   
“Batons, esmaltes, depilações, cólicas, sabedoria, paciência, coragem e muito mais...”.
“Boa pergunta. Ontem eu estava vendo novela. Nela, a personagem da atriz Maria Cândida dizendo que o neto ia jogar futebol, andar de skate... A outra atriz, que faz o papel de Ivana, perguntou: E se ele quiser brincar de boneca? – Não, isso é coisa de menina, ela respondeu. Eu, aqui em casa, vivo isso. Minha sogra tem 66 anos e acha que nós, mulheres, temos obrigação de cozinhar, lavar, passar, arrumar a casa. Se pedir algo para meu namorido, escuto: Isso é a tarefa da mulher...”.
“Cabe a uma mulher aquilo que ela decidiu seguir”.
“Coisas de mulher... Em se tratando de coisas materiais, tudo que uma mulher julgar que pertença ou que lhe pertença”.
“Coisas de mulher... Tudo é coisa de mulher. A gente é responsável por tanta coisa - inclusive pelo que não devia ser: a sociedade impõe "coisas de mulheres". O que são mulheres? Coisa de mulher é nascer, é crescer, é aprender, é desenvolver, é viver. E é cuidar, educar, pensar, se preocupar. Coisa de mulher é lutar, é conquistar espaço, é estudar, é aguentar, é "se virar". “Coisa de mulher” são vários verbos, porém, também são vários sentimentos. É alegria, sabedoria, força. É amor. Também é preocupação. Às vezes, também, é medo. E é resistência. Coisa de mulher é resistência”.
“Como definir quando as mulheres desempenham tantos papéis e se utilizam de tantas coisas? Vi minha mãe dirigir um fusca e fazê-lo de Topic, levando minhas amigas e eu para escola. Vi minha tia arar a terra e ordenhar vacas, fazendo desses afazeres seu sustento. Vi minha irmã pegar seu aluno no colo, ofertar a ele acalanto e segurança. Vi minha amiga posar para fotos com suas botas e bolsas, fazendo marketing de sua loja. Por fim, me vi empurrando o carrinho de minha filha e mostrando a cidade para ela. As coisas de mulher são atitudes. Sentimentos feitos, ação de quem batalha, trabalha, acolhe, se vira e ensina. Ama, encara, deixa pra lá e corre atrás. Cada cabeça uma sentença, cada mulher um arsenal de coisas que coleciona para ajudar a ser a melhor versão de si e desempenhar a função que desejar exercer”.
“Cuidar da casa, marido, filhos, trabalhar”.
“Dar à luz, parir, ter contigo a vida! A melhor coisa do mundo! Ou, como dizia Guimarães Rosa, “um menino nasceu, o mundo tornou a começar". Então, o melhor de ser mulher é tornar à potência de tornar a começar”.
“Depende do que se refere a “coisas”. Se objetos, diria que absorvente pode ser dito como objeto exclusivo de mulher e me refiro ao comum, não o interno, pois este pode ser utilizado por homem se ele assim entender usar. Se for em sentido anatômico, o útero e a geração de um filho é próprio de mulher, por enquanto. E no geral, nada mais pode ser dito que é “coisa de mulher”. Tudo é passivo para os dois gêneros. Respondi?”.
“Difícil dizer o que são coisas de mulher. Vou refletir um pouco sobre...”.
“É qualquer coisa que ela queira, mas sempre envolvida por delicadeza e sensibilidade”.
“É tudo que ela deseja, quando essa mulher tem uma formação familiar e intelectual. Devo citar?”.
“É tudo que tem de bom no mundo!”.
“É um rótulo que a sociedade colocou para diferenciar dos homens. Para sustentar o machismo”.
“É uma definição taxativa daquilo que somente serve para mulher e não serve para o homem, isto é, objetos femininos, mas com carga negativa de superficial: conversas entre amigas pejorativamente apontadas como fúteis. Não sei se nos últimos tempos tenho visto essas definições um pouco com amargura, mas me parece que o mundo tem apontado para essa direção, ao menos, e delimitando, o meu mundo”.
“É uma expressão de machismo. Quando os homens querem justificar determinadas atitudes femininas que eles não compreendem – ir ao banheiro com outras mulheres, por exemplo – as definem como gestos típicos e exclusivos ao mundo feminino”.
“Em se tratando de coisas materiais, tudo que uma mulher julgar que pertença ou que lhe pertença. Pelo lado fisiológico e emocional, sorrir e abraçar a todos como se nada tivesse acontecido, depois de brigar com Deus e o mundo, durante uma TPM. Somente a mulher para agir desta forma, um homem jamais entenderá (e sentirá) o que é isso.
“Entendo que são assuntos e atitudes de interesse do sexo/gênero feminino, como, por exemplo, maquiagem. No geral, mulheres, gays, transgêneros e afins que tem interesse por usar ou pesquisar sobre o assunto”.
“Estávamos falando agora mesmo sobre isto, que meninos, desde pequenos, ganham brinquedos que estimulam a ter uma profissão. A menina é cuidar da boneca, panelinha, ferro, tudo para ser dona de casa”.
“Estou viajando com minha mãe e ela respondeu que “coisas de mulher” é TPM! Eu acho que coisas de mulher é o olhar de ternura que temos sobre tudo...”.
“Êta perguntinha complexa! Penso que é tudo que uma mulher puder fazer sozinha para alcançar o que quer, independente do espaço em que estiver. Eu me nego discutir o que uma mulher pode ou não! Porque cada uma pode coisas diferentes e em muitas coisas homens e mulheres se complementam, ao invés de serem concorrentes...”.
“Eu não sei te dizer em uma única frase o que são “coisas de mulher”.
“Eu, como mulher, digo que é o conjunto de objetos, comportamentos e modos de pensar que fazem parte da nossa personalidade. Embora hoje esse universo não seja mais restrito ao que a sociedade entendia como feminino, já que hoje tudo pode ser coisa de mulher, desde panelas à bola de futebol ou chorar vendo uma novela e praticar uma arte marcial”.
“Fiz a pergunta para minha filha, de dez anos e ela disse que não há coisas de meninas ou meninos, o que importa é o que a pessoa gosta de fazer. Meninas podem querer brincar de futebol e meninos de boneca”.
“Me dá um tempo...”.
“Muitas vezes, duas ou mais mulheres conversam sobre gravidez, menstruação e segredinhos. Vem um xereta e pergunta qual o assunto. Elas, sendo tímidas ou reservadas, para despistar, respondem: Coisas de Mulher!”.
“Mulher é muito detalhista naquilo que faz, às vezes busca a perfeição e, ao dar seu toque feminino, se diz: isso é coisa de mulher!”.
“Mulher Maravilha. Se eu pudesse girar a cintura de 58 cm de Lynda Carter... Mulheres queimaram o sutiã, o que não foi uma má ideia, afinal, é mais uma prisão que aperta e dói! Lógico que havia muito mais sobre misoginia do pequeno recorte que farei naquele grande protesto. No entanto, viramos escravas com M maiúsculo, chegam a ser quatro jornadas diárias, além das várias faces que temos que assumir, trabalhar fora, cuidar da casa, estudar, dar atenção de qualidade aos filhos e ao marido. Ser competente profissional, exímia dona de casa, mãe exemplar, companheira, amante, esposa. Sem falar nos cuidados estéticos, unhas bem feitas, cabelos arrumados e maquiagem. Escravas da sociedade, do botox e de inúmeros procedimentos estéticos na tentativa de disfarçar a alma que envelhece triste enquanto corremos atrás de tudo ao mesmo tempo o tempo todo... quer saber? Devolve meu sutiã!”.
“Mulheres amam os filhos, gostam de jantar em um bom restaurante, regado a bom vinho. Gostam de ir ao banheiro juntas, de ir ao shopping fazer compras. Principalmente, comprar sapatos. Gostam de batom, cílios grandes, enfim, de serem elegantes. E de outra infinidade de coisas. Afinal, somos lindas, de um jeito ou de outro. Não achas?”.
 “Na infância, brinquedos panela, fogão, boneca. Tarefas ensinadas pelas mães como cozinhar, limpar a casa, bordar, fazer tricô, crochê”. Com o avanço das tecnologias, essas “coisas de mulher” foram sendo desmistificadas. Com a inclusão social advinda das ações afirmativas e a divulgação dos esportes, como fator não só de competição, as mulheres passaram a se envolver no universo masculino, sendo jogadores de futebol, vôlei, basquete, pilotos de carro, lutadoras...”
“Não existem coisas específicas de mulher, pois a mulher pode tudo. Mas, o mais importante e exclusivo que é da mulher, é o poder de gerar a vida!”.
“Objetos, acessórios e atitudes que a sociedade impõe e que só mulheres fazem”.
 “Os apetrechos que nos deixam preparadas e confiantes todos os dias?”.
“Outro lugar que mulheres ocupam com destaque é o setor das comunicações, das redes de computadores, encontrando-se mulheres "nerds"...
“Para mim, é tudo aquilo que me deixa feliz. Exemplo: eu gosto de tênis esportivo masculino, para mim, isso é “coisa de mulher”.
“Para mim, não existe coisa "de mulher" e nem "de homem". Tudo é de todos sem designações de cores ou tarefas... ”.
“Para mim, não existem coisas de mulher. Tudo é para quem quiser. Costumam dizer que é coisa de mulher desde as tarefas domésticas, cuidar dos filhos, até chorar ou usar rosa. Aquilo que para a sociedade não tem importância ou que traz "fragilidade e feminilidade". Para mim, se fosse pra ser dito o que é coisa de mulher, eu diria que é ser forte, ser guerreira, ser corajosa. É enfrentar todos os dias uma sociedade que só nos diminui. Ser mulher é lutar todos os dias pelo nosso espaço no mundo”.
“Pelo lado fisiológico e emocional, sorrir e abraçar a todos como se nada tivesse acontecido, depois de brigar com Deus e o mundo, durante uma TPM. Somente a mulher para agir desta forma, um homem jamais entenderá (e sentirá) o que é isso”.
“Penso que não existe "coisa de mulher", pois nós conseguimos nos encaixar e desdobrar para tudo! Talvez não tenhamos a prática dominada de algo, mas damos um jeitinho de logo conquistar”.
“Penso que uma das características das mulheres é a palavra. As mulheres têm esse dom de comunicação exacerbado. E é um poder e tanto, diga-se de passagem. Resultado disso são as conversas femininas, seja para falar sobre moda, tempo, romances, desafetos, filhos...”.
“Pode ser algo com conotação depreciativa ao se referir às obrigações que foram estrategicamente imputadas às mulheres, como cuidar da casa, dos filhos, marido, entre outras. Além das necessidades emocionais não satisfeitas que, às vezes, acabam sendo vistas como "chiliques" ou "coisas de mulher"! Essa foi uma das várias respostas que eu posso te dar!”.
“Pode ser o que tem dentro de sua bolsa, mas, em geral, é aquilo que cabe a uma mulher de acordo com o que ela é”.
“Podem ser doces ou amargas, delicadas ou pesadas, cor-de-rosa ou azuis”.
“São aquelas que nós conquistamos, pois queremos e sonhamos, e, acima de tudo, temos capacidade para isso, pois os obstáculos impostos por uma sociedade só podem ser vencidos se quisermos e lutarmos para conquistar espaço e desconstruir algumas ideias enraizadas”.
“São as coisas que a mulher escolhe ter/fazer/conquistar. Seja no emprego, na roupa, na casa, nas relações, em tudo”.
“São atividades e comportamentos atribuídos socialmente e culturalmente para o universo feminino. Estas atividades rotuladas ‘femininas’, geralmente são conceituadas como frágeis ou fúteis”.
“São meras construções sociais e culturais. Referem-se às expectativas que uma determinada sociedade, em um dado tempo histórico/social e cultural, estabelece para pessoas que nascem com a genitália ‘feminina’".
“São tantas coisas que tive que pensar: Fazer as compras da feira, ir ao médico levar filho...”.
“São tantas coisas. Podem ser coisas de homem também, porque não? É também é muito pessoal, particular de cada uma. Têm mulheres que adoram estar sempre maquiadas, já outras não; há mulheres que adoram futebol, que pensam em ter várias maquiagens, sapatos, bolsas, vestidos ao mesmo tempo que pensam em carros, jogar bola, beber cerveja com as amigas... Isto é só uma parte de coisas de mulher, que pode ser muitas coisas”.
“Segredos! Magia! Força! Vigor! Talvez sejam características. E objetos seriam echarpes, chapéus, luvas, brincos, sapatos, cremes, batons, esmaltes, bicicleta, carro...”.
“Sempre difícil de responder, porque hoje não há mais essa divisão: coisas a fazer são igualmente divididas (em tese), coisas de sentir (conheço muitos homens tão sensíveis quanto, ou até mais)”.
“Ser capaz de coordenar e fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Isso reflete exatamente meu momento...”.
“Ser mãe, amamentar, maquiagem, ter menos força física, gerar um ser, conseguir realizar múltiplas tarefas”.
“Sexto sentido, sensibilidade aflorada”.
“Têm a ver com liberdade, pois as mulheres são o que quiserem ser”.
“Tem relação direta com o cuidar mais criterioso. Com o florir e perfumar o dia. Dar todo o frescor necessário a vida”.
“Todas as coisas do mundo. Deste e de outros, também...”.
“Tudo o que a mulher quiser indiscriminadamente”.
“Tudo que faz a mulher feliz! Por exemplo, eu amo futebol...”.
 “Tudo que uma pessoa é capaz de fazer.  A mulher passa a impressão de fragilidade, mas somos guerreiras, com um toque de suavidade”.
“Um jeito especial de ser e de fazer”.
“Uma das primeiras profissões admitidas para as mulheres era o magistério e a enfermagem. Mas isso há muito caiu e temos mulheres em diversos campos, inclusive na aviação, salvo aquelas consideradas perigosas ou insalubres”.
“Vou tentar, não é fácil. Acredito que é um padrão de comportamento que desde menina é imposto pela sociedade. Estou me referindo à forte competição entre as mulheres. Nós nos vemos como competidoras e não como aliadas. E é apenas na vida adulta que nós percebemos que isso não é verdade”.

E os homens?
O que são “coisas de mulher” para os homens que responderam à pesquisa? No universo perguntado, um grupo considerável de homens. Nem todos, no entanto, responderam. Os quatorze aventureiros encontram-se aqui. De quinze a 68 anos, não se furtaram a dar suas opiniões: “Aprendi essa resposta esta semana. A resposta é: o que ela quiser que seja!”.
“Batons, esmaltes, depilações, cólicas, sabedoria, paciência, coragem e muito mais...”.
“Creio não ser a pessoa mais indicada, mas diria que tudo pode ser "coisa de mulher". É uma convenção cultural de tudo que foi atribuído, significado como tal. Então, tudo pode ser "coisa de mulher".
“Depois te respondo, está bem?”
“Eu acho que coisa de mulher é só menstruação, perdão pela palavra. O resto pode ser feito por homem e mulher. Não tem descriminação”.
“Firulas. Brincadeira. Coisa de mulher é tudo que elas quiserem, afinal elas dominam o mundo, coisa de mulher é espaço de desejo, de carinho, de mudança de alteridade”.
“Não sei, afinal, coisas não têm gênero”.
“Pergunta difícil essa”.
“Pergunta difícil!”.
“Pergunta difícil. Diria que coisas de mulheres são as relativas ao corpo feminino, que são determinadas pela biologia...”.
“São as coisas que tem a ver com a "sensibilidade aplicada", ligadas aos sentidos e as emoções mais simples”.
“São todas as atividades para as quais a mulher tenha interesse, sem nichos exclusivos para a masculinidade”.
“Tens de pedir à elas, eu só sei o que é “coisas de homens”...
A revolução das Mulheres
Com tradução de Priscila Marques, o texto Deve-se ensinar “coisas de mulher” aos meninos? foi elaborado por Nadiéjda Krúskaia no iníco do século XX. Ela pretendia sensibilizar os dirigentes dos novos tempos para a necessidade de uma sociedade que libertasse igualmente mulheres e homens. Seu texto, muito instigante, integra a obra A revolução das Mulheres, organizado por Graziela Schneider e publicada pela Boitempo (2017).
Na quarta capa, em texto assinado por Wendy Goldman, o leitor é convidado a se defrontar com uma antologia de artigos, ensaios, atas e panfletos “provocativos” escritos por “radicais pensadoras” e “ativistas” no início do século XX. O intuito é provocar insights próprios.
Ao realizar a pesquisa, de modo informal e em apenas três dias, colhi muitos insights. Pretendo, ao partilhar os resultados, ser fiel aos depoentes e dar voz a quem nunca, de vez em quando ou sempre, pensa em “coisas de mulheres”.
Mulher: identidade relacional e histórica?
Observando um dos escritos de Deepika Bahri intitulado Feminismo e/no Pós-Colonialismo (Estudos Feministas, Florianópolis, 2013), no qual a pesquisadora discorre sobre a relação entre feminismo e pós-colonialismo a partir de conceitos-chave, percebo que a ninguém cabe “falar” e mesmo “escutar” pelo outro.
No artigo a autora evidencia as principais categorias conceituais – representação, mulher do primeiro mundo, essencialismo e identidade – encontradas em debates e discussões nas perspectivas feministas dentro dos estudos literários pós-coloniais e revela, ao observar esses conceitos na obra de várias pensadoras, o “esforço dos estudos feministas pós-coloniais para estabelecerem a identidade como relacional e histórica em vez de essencial ou fixa, enquanto mantêm o gênero como uma categoria significativa de análise.
Declaro que não há, neste pequeno exercício de opinião, nenhuma intenção de “falar” pelo outro, “representar” o outro. Penso que, “inerentemente interdisciplinar”, o feminismo observa, estuda, “examina os relacionamentos entre homens e mulheres” além das “consequências dos diferenciais de poder para a situação econômica, social e cultural das mulheres (e dos homens) em diferentes lugares e períodos da história” (BAHRI, 2013) Desse modo, este ensaio não é um estudo e, sim, uma voz. Melhor, é um exercício de escuta de muitas vozes.
Textos citados:
BAHRI, Deepika. Feminismo e/no Pós-Colonialismo. Revista Estudos Feministas, Nº 21(2): 659-688, maio-agosto/2013. Florianópolis, SC, 2013. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/ref/article/view/S0104-026X2013000200018
HAN, Byung-Chul. Sociedade do Cansaço. In: GIANOTTI, Carlos Alberto. O cansaço das demandas. ZH PROA, 17 E 18 DE JUNHO DE 2017.

KRÚSKAIA, Nadiéjda. Deve-se ensinar “coisas de mulher” aos meninos? In: SCHNEIDER, Graziela. A revolução das Mulheres. São Paulo: Boitempo, 2017.







Semana do gostar de ler

A Sala de Leitura Erico Verissimo (FaE/UFPel) localizada no Andar Térreo do ICH, está desenvolvendo uma série de eventos em junho.
Ao propor e desenvolver micropolíticas de leitura, entre elas, visitas guiadas para conhecimento do acervo e do espaço, cursos livres, saraus literários, pesquisas sobre o livro e a literatura e aulas em ambientes, a sala tem se tornado um lócus desencadeador de relações múltiplas com o livro e a literatura, mas, também, com a formação de leitores e mediadores.
Na semana entre 19 e 23, haverá, todos os dias, um pequeno evento: é a semana do gostar de lerAcompanhe a agenda do GELL – Grupo de Estudos em Leitura Literária – e participe. Os eventos são abertos e gratuitos.

Semana do gostar de ler.

19/06 – Publicação no Blog da Sala de leitura Erico Verissimo dos resultados da pesquisa O que são “coisas de mulher”? A investigação e seus resultados integra a formação das estudantes de Pedagogia e se insere na micropolítica Leituras para Meninas, desencadeada em 08 de março de 2017;

20/06 – Aula pública de Literatura Infantil. Tema: A invenção da literatura infantil no RS: João Simões Lopes Neto e Erico Verissimo.

Local e hora: Sala 103, Térreo do ICH/UFPel (9-11 horas):

21/06 – Estudo da obra A Zeropéia, de Herbert de Souza. Obra considerada um marco da “literatura infantil para pensar”, o estudo visa aprender a apresentar A Zeropéia às crianças entre dois e 11 anos.
Ministrante: Drª Cristina Maria Rosa
Local e hora: Biblioteca da E.E.E.F. Fernando Treptow (9-11 horas);

22/06 – Leitura para crianças: o GELL visita a Escola Municipal de Educação Infantil João Guimarães Rosa. 

Local e hora: Avenida Herbert Hadler, 1310 - Fragata, 9-11 horas;

23/06 – Leitura Literária na Sala de Leitura: O GELL recebe as crianças do CRAS Vida Ativa – Centro de Referência de Assistência Social.
Local e hora: Sala de Leitura, 9-11 horas.

A sala de leitura e a formação do leitor literário
As micropolíticas de leitura literária desencadeadas pela Sala da Leitura buscam aproximar universitários dos livros e do gosto por ler, além de estabelecer contato profícuo com a escola e os futuros leitores.
Integrada à Pedagogia, a Sala de Leitura é um espaço de exercício qualificado dos saberes literários como saberes docentes (PAULINO, 2001) e pauta-se pelo argumento de que a formação do mediador literário é estruturador e primordial no exercício cotidiano da docência, nos anos iniciais da escolarização.
Pesquisas indicam que a totalidade das crianças que chegam à escola pública precisam ser alfabetizadas literariamente (ROSA, 2015), uma vez que parte considerável das famílias das quais são oriundas, leem pouco ou quase nada. Resultados de pesquisas recentes indicam que o acesso à leitura literária e o consequente conhecimento de obras, gêneros, ritos e benesses das práticas, ocorre primordialmente na escola e deve ser considerado como um dos saberes na formação de leitores. Sem essa “apresentação”, a leitura tem vida curta nos poucos anos de escolaridade a que são submetidos os filhos das classes populares e cabe ao docente – ao professor dos anos iniciais, especialmente do primeiro ao quinto – ser capaz de tornar o experimento com os primeiros livros e a variedade de gêneros, uma experiência na vida dos pequenos.