sábado, 14 de outubro de 2017

Sala de Leitura Erico Verissimo em evento internacional!

No dia 17 de outubro, terça-feira, às 9h, em uma mesa intitulada Histórias da literatura em múltiplas leituras, três integrantes da Sala de Leitura Erico Verissimo (FaE/UFPel) estarão em Porto Alegre, na PUCRS, apresentando suas produções. Elas tiveram seus trabalhos aprovados no XII SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE HISTÓRIA DA LITERATURA.
Leia na íntegra, os resumos aprovados e veja o calendário das demais apresentações na página do evento, que está disponível em: http://www.pucrs.br/eventos/inst/xiiseminario/

DIA 17 DE OUTUBRO, TERÇA-FEIRA, ÀS 9h
Histórias da literatura em múltiplas leituras I
Prédio 8 – Sala: 228
Título: Perfil leitor: quais livros leem os estudantes do 9º semestre do curso de pedagogia da UFPel?
Autoras: Paula Penteado De David e Cristina Maria Rosa.
Resumo: No presente trabalho buscamos apresentar alguns resultados parciais da investigação que tem como objetivo central conhecer e descrever o perfil leitor das estudantes do último semestre do curso de Licenciatura em Pedagogia da FaE/UFPEL. A intenção, ao analisar esse grupo de estudantes e um restrito número de questões – escolhidas intencionalmente – foi perceber a aprendizagem e a permanência de um autor/tema entre as formandas, uma vez que, supostamente, são elas que acumulam o maior grupo de informações acerca da profissão que, em breve, vão exercer. Para que fosse possível fazer o levantamento dos dados, a metodologia deste trabalho incluiu a coleta de informações através de um questionário individual respondido anonimamente por todos os estudantes do 9º semestre. No trabalho, apresentamos um recorte que evidencia três entre as vinte e uma questões que compõem o questionário e que são as seguintes: "Desde tua chegada na Universidade, alguém já te indicou um livro?". A segunda pergunta – "Qual livro?" – foram agregados os seguintes direcionamentos: "Não lembro o título, mas é sobre..." e "Não lembro o tema, mas o autor é...". A terceira e última questão analisada neste recorte foi: "Tu leste o livro indicado?". De modo geral, trata-se de uma pesquisa de cunho qualitativo, a qual visa definir preferências como: autores, gêneros e títulos, bem como os hábitos literários dos participantes: se gosta de ler, quando lê, quais as motivações e possíveis influências do ensino superior nas escolhas do que e quando ler.

Título: “A Zeropeia” de Betinho em duas edições: 1999 e 2015.
Autoras: Alessandra Steilmann e Cristina Maria Rosa.
Resumo: Escrita por Herbert de Souza (o Betinho) e ilustrada por Bia Salgueiro, A Zeropéia foi publicada pela primeira vez em 1993, pela Editora Moderna, em uma coleção denominada Hora da Fantasia e integrou bibliotecas escolares a partir de então. Em 1999, tornou-se amplamente conhecida e foi comercializada pela Editora Salamandra que, em 2015, apresenta ao mercado uma nova versão, com algumas modificações. Estas, capturaram nossa atenção para uma leitura contrastiva (CARVALAAL, 2006), ou seja, uma leitura que se vale do cotejo de textos para avaliar as diferenças existentes entre edições. Compreendendo a história literária como uma “linha de pesquisa que oportuniza observar e apreender a especificidade dos gêneros, das técnicas de expressão e das marcas estilísticas em articulação com o andamento do processo histórico-cultural além de fundamentar criticamente o trabalho de interpretação e avaliação estética das obras individuais” (USP, 2017), intencionamos observar os contrastes ou as marcas definidoras de diferenças entre as duas edições comercializadas pela Salamandra. A narrativa A Zeropéia – obra que marcou a literatura infantil para pensar (ROSA, 2017) – terá como foco permanências e mudanças evidenciadas na linguagem e no projeto gráfico e editorial. Metodologicamente, vamos ler e comparar as duas edições página a página, observando se e como foram empreendidas modificações. Entre os primeiros resultados percebemos que as fichas catalográficas estão incompletas, confusas até, impedindo a definição da "verdadeira" história da obra. Observamos também que, na edição 2015, o texto foi modificado para corresponder às novas normas ortográficas. Um terceiro aspecto é a distribuição do texto nas páginas – em 1999, a obra contém 24 páginas e a edição de 2015, oito páginas a mais. Com relação ao texto, em sua maior parte, se mantém similar e as trocas ou inserções de palavras não alteram o significado das frases. Quanto às ilustrações, percebemos que na nova edição houve destaque a um personagem "paralelo", que ganha, assim, maior visibilidade.

Título: Literatura Infantojuvenil: a produção gaúcha entre 2011 e 2013
Autora: Cristina Maria Rosa

Resumo: Na pesquisa abordo peculiaridades da literatura em prosa e verso produzida no Rio Grande do Sul entre 2011 e 2013. A metodologia – focada na composição de um acervo representativo a partir títulos disponíveis em bibliotecas, livrarias e escolas – foi incrementada com estudo de obras fundantes, contatos com editoras e autores e presença em eventos nos quais o livro e sua recepção são protagonistas. As conclusões foram precedidas de questões como: Qual a poesia e a prosa que sido escrita e publicada para crianças e jovens no Rio Grande do Sul nos início do Século XXI? Há muita publicação? Os livros de livrarias circulam nas escolas? Há predominância de brasileiros ou traduções? Há reedições? Quais os gêneros mais publicados? Quais os tipos de edição, os preços, o impacto na mídia? Quais os títulos mais vendidos? Como procedimento central, realizei a leitura de obras literárias, em prosa e verso, produzidas no período. Para além, o contato com autores e editoras e a presença em eventos – Jornada Literária de Passo Fundo, FestiPoA Literária e Feira do Livro. A fortuna crítica sobra a Literatura Gaúcha foi visitada em duas obras fundantes, arroladas no artigo. Entre os resultados, a preponderância da escrita poética e a permanência, no recorte estudado, de traços diferenciadores do que se conhece por literatura sulina.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Outubro literário na Sala de Leitura Erico Verissimo

Criada para promover a leitura literária no espaço acadêmico, a Sala de Leitura Erico Verissimo abre o mês de outubro em novo local: um espaço lúdico no Casarão 8.
Em comemoração ao mês da criança, integra-se a outras atividades da Primavera dos Museus, oferecendo leitura literária a crianças e suas escolas.
Durante todo o mês de outubro, a sala estará ambientada para receber crianças acompanhadas por seus professores e familiares. Para agendar sua escola, é só ligar para o telefone da Sala de Leitura.
A Fada Madrinha, o Senhor Sabetuuuudo, a Branca de Neve e a Chapeuzinho Vermelho estarão esperando no local, para ler para as crianças. O Príncipe Sapo, a Sininho, a Bruxa Meméia e a Girafalda Bichófila já escolheram seus livros prediletos e não vão perder a oportunidade de mostrar quem sabe ler melhor.
Neste mês, também, todas as leituras para o grupo de crianças do CRAS, que ocorriam nas manhãs das sextas-feiras na FaE/UFPel,  serão realizadas no Casarão 8, às quartas-feiras, das 9 às 11 horas.


Veja o cronograma do Outubro Literário da Sala de Leitura Erico Verissimo!
Agende suas escola e participe!

Cronograma de Outubro
Dia e hora
Programa
Onde
30/09 - Sábado
16-17 horas
Leituras Literárias no Primavera dos Museus
Sala de Leitura
Casarão 8
05/10
9-11 horas
Leituras Literárias no Outubro literário
Sala de Leitura
Casarão 8
06/10
15-18 horas
Leituras Literárias no Outubro literário
Sala de Leitura
Casarão 8
12/10
9-11 horas
Leituras Literárias no Outubro literário
Sala de Leitura
Casarão 8
13/10
15-18 horas
Leituras Literárias no Outubro literário
Sala de Leitura
Casarão 8
19/10
9-11 horas
Leituras Literárias no Outubro literário
Sala de Leitura
Casarão 8
20/10
15-18 horas
Leituras Literárias no Outubro literário
Sala de Leitura
Casarão 8
25/10
9-11 horas
Leituras Literárias no Outubro literário
Sala de Leitura
Casarão 8
26/10
15-18 horas
Leituras Literárias no Outubro literário
Sala de Leitura
Casarão 8



sexta-feira, 1 de setembro de 2017

EMEI Ruth Blank: um dia de leitura literária

A sala de leitura e a formação do leitor literário
As micropolíticas de leitura literária desencadeadas pela Sala da Leitura Erico Verissimo da FaE/UFPel buscam aproximar universitários dos livros e do gosto por ler, além de estabelecer contato profícuo com a escola e os futuros leitores. Integrada à Licenciatura em Pedagogia, a Sala de Leitura é um espaço de exercício qualificado dos saberes literários como saberes docentes (PAULINO, 2001) e pauta-se pelo argumento de que a formação do mediador literário é estruturador e primordial no exercício cotidiano da docência, nos anos iniciais da escolarização, que, no Brasil, é obrigatória desde os 4 anos de idade.
Pesquisas indicam que a totalidade das crianças que chegam à escola pública precisam ser alfabetizadas literariamente (ROSA, 2015), uma vez que parte considerável das famílias das quais são oriundas, leem pouco. Literatura? Quase nada.
Resultados de pesquisas recentes indicam que o acesso à leitura literária e o consequente conhecimento de obras, gêneros, ritos e benesses de práticas letradas ocorrem primordialmente na escola. É nela que as crianças, desde tenra idade, veem professores lendo, manipulam livros e seus conteúdos e dialogam sobre tramas e seus desfechos.
Sem essa “apresentação”, a leitura literária tem vida curta nos poucos anos de escolaridade a que são submetidos os filhos das classes populares e cabe ao docente – ao professor dos anos iniciais, especialmente do pré-escolar ao quinto ano – ser capaz de tornar o experimento com os primeiros livros e a variedade de gêneros, uma experiência na vida dos pequenos.
Ao propor e desenvolver micropolíticas de leitura, entre elas, leituras literárias para crianças na escolas, a Sala de Leitura Erico Verissimo tem se tornado um lócus desencadeador de relações múltiplas com o livro e a literatura, mas, também, com a formação de leitores e mediadores.
Na Escola Infantil Ruth Blanck em 31/08/2017
A primeira sensação quando se adentra os espaços coloridos e o entrono arborizado da Escola Municipal Infantil Ruth Blanck, localizada no Parque Dom Antonio Zátera, em Pelotas, é de bem estar.
Crianças, em três turmas por turno, brincam, aprendem, dançam, modelam, desenham e pintam, ouvem violão e cantam, leem e ouvem narrativas, falam, escutam e argumentam.
Pela manhã, integrado à programação da Sala de Leitura Erico Verissimo na Semana “Ler não entra em recesso”, um grupo de personagens do GELL – Grupo de Estudos em Leitura Literária esteve na escola. A escolha foi ler A Zeropeia, de Betinho e Assim Assado, de Eva Furnari.
Encantados com os personagens, as crianças e suas professoras mostraram que a leitura, ali, não é novidade ou festa: é habito. Como disse Bartolomeu Campos de Queirós, professor tem de ter hálito de leitura e, pareceu que ali, isso é o que todos têm.
Pela manhã, uma Bruxa, a Fada Madrinha e a Doutora Girafalda Bichófila, Veterinária do Sítio do Picapau Amarelo, abriram seus segredos para as crianças: livros, maletas, varinhas mágicas, histórias do passado.
À tarde, além da Fada Madrinha e a Doutora Girafalda Bichófila, a Cinderela – toda vestida em azul turquesa e portando seus encantadores sapatos de cristal – também apareceu. De carruagem, veio conversar com as crianças, ler histórias e contar de seus bailes.
As meninas e meninos bailarinos da escola, ficaram tão empolgados que resolveram dançar para ela.
Foi um espetáculo!
Ao fim da tarde, depois da leitura e do show de dança, ela convidou a todos para o próximo baile no castelo. As crianças ficaram empolgadas e prometerm pensar...
O GELL - Grupo de estudos em leitura literária - escolheu um pequeno grupo de livros para apresentar às crianças. É uma estratégia, para tornar o tema da obra e seu desfecho uma possivilidade de diálogo entre as professoras que, desse modo, podem colher informações sobre como uns e outros receberam a leitura.
Entre os livros levados pelo GELL, os que as crianças mais gostaram foram os da Eva Furnari, a prima escritora e ilustradora da Bruxa. Mas A Zeropeia, do Betinho, foi lido em todas as turmas e muito bem recebido. A Tainá, que tem só quatro anos, adorou. Ela sabe folhear direitinho!
EMEI Ruth Blanck
A Escola Municipal de Educação Infantil Ruth Blanck é uma escola encantadora: pelo clima, pela localização, pelas professoras e direção que nela trabalham e pelo ideal que ela mantém ativo: ofertar às crianças a arte em várias expressões.
Em retribuição ao grupo da Faculdade de Educação que lá esteve a Direção da Escola ofertou o espaço para estágios, saraus, cursos e palestras. Nós agradecemos!

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Hálito de leitura: ENTREVISTA de Bartolomeu Campos de Queirós a Juliana Ângelo, Rosangela Guerra e Silvana Costa. Revista Presença Pedagógica. NOVEMBRO/DEZEMBRO DE 2007.
Link: http://presencapedagogica.com.br/

Bartolomeu Campos de Queirós: uma entrevista

“A escola só cumpre sua finalidade se forma leitores”
Por: Fernanda Baroni

Entrevistar o escritor Bartolomeu Campos Queirós é como conversar sobre literatura na varanda de casa. Sem rodeios, o mestre dá dicas, fala sobre o processo de criação, expõe idéias, desvenda segredos e nos mostra que ainda há muitos caminhos a serem trilhados por nossos pensamentos.
Seus textos são muito emocionais, voltados para as descobertas e inquietações dos personagens. Você já afirmou que a Literatura Infantil não precisa ser um textinho fácil, e seus livros acabam atingindo leitores de todas as idades. Como é seu processo de criação? Você pensa em um leitor específico quando escreve uma história?
Quando escrevo procuro exercer o melhor de mim. Procuro uma linguagem direta, clara, frases curtas, o que não impede o texto de suportar uma análise literária. Exploro as metáforas, não apenas como figura de estilo, mas a metáfora permite vários níveis de entendimentos. Não seleciono o assunto, não gosto de literatura com destinatário, dividindo o mundo como se existisse um mundo para criança e outro para os adultos. A existência é um fio único que começa no nascimento e encerra com a morte. Tento construir um texto sem fronteiras. Cada leitor se inscreve nele a partir de suas experiências. Todos vivemos num mesmo mundo e somos portadores da fantasia,que nos permite dialogar com o universo.
Você segue alguma rotina? Acha que as palavras perfeitas devem ser buscadas ou elas surgem, espontâneas, num ato de inspiração?
O texto é feito de palavras. As palavras além de escritas são sonoras quando pronunciadas. Ao buscar configurar um texto busco construir com as palavras uma frase melódica capaz de embalar o leitor. Tenho uma rotina de trabalho. Escrevo sempre que estou em casa. Quando viajo não escrevo. Preciso sempre de dicionários. Eles são muitos e consulto as palavras em suas muitas aplicações. Dicionário de símbolos, de psicanálise, de filosofia, de mitologia, biblíco, etc.
Quanto tempo costuma se passar entre a idéia da história na sua cabeça e o objeto livro nas prateleiras?
Hoje eu peço às editoras uma produção mais imediata de meus textos. Sou impaciente. Não gosto de organogramas ou planejamentos a longo prazo. Quando terminei o texto O olho de vidro do meu avô, a editora pediu dois meses para ter o livro nas livrarias. Mas se o texto é para crianças ainda em fase de início de leitura, o livro exige mais tempo por precisar de mais ilustrações e seduzir mais o pequeno leitor. É preciso dar tempo ao ilustrador.
Como uma criança que aprendeu a ler decifrando as palavras escritas na parede de casa desenvolveu essa relação tão profunda com a Educação?
Eu sempre possuí um carinho com as palavras. Sou bastante silencioso. Acho mesmo que escutar é superior a falar. Passei a ter maior admiração pelas palavras depois de viver um processo de psicanálise. Experimentei que as palavras realizam o que anunciam. Comecei minha vida profissional trabalhando com crianças numa escola de demonstração do MEC. Daí minha confiança na escola como lugar do refinamento da percepção.
Como você vê a Literatura no cenário da Educação no Brasil de hoje? O que você acha que poderia ser feito para melhorar isso?
Vejo com alegria a preocupação, tanto da escola como de toda sociedade, com a formação do leitor. A escola só cumpre sua finalidade e se torna permanente na vida do aluno quando forma leitores. O sujeito sai e continua se educando vida afora. Acredito que devemos facilitar a aproximação do professor com a literatura. Para criar o hábito da leitura o professor tem que possuir hálito de leitura. O trabalho maior deve ser junto dos professores, para que eles deixem também transbordar seu gosto pela leitura.
FNLIJ tem obtido grandes conquistas no sentido de levar coleções de qualidade para serem adotadas nas escolas. Você acha que o mercado dos livros didáticos corre paralelamente ao mercado editorial de um modo geral?
A Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil tem realizado trabalho significativo e consistente para a promoção do livro e do leitor no Brasil. Todos os movimentos que aconteceram no Brasil tiveram a participação da FNLIJ. É uma entidade que se preocupa com a literatura e nem tudo que está em livro pode ser considerado literário. Vejo o livro didático como importante se executado com excelentes critérios. É preciso considerar que a escola é mesmo o lugar da informação e da transformação. O livro didático e o literário dão coragem ao leitor para transformar, criar, acrescentar.
Algumas pessoas têm a idéia, equivocada, de que criança não gosta de poesia. O que você diria a estas pessoas?
As crianças gostam sim de poesia. É preciso saber apresentar a poesia para elas. A poesia é um texto contido, econômico, com bastante abertura para o leitor apreciar seus tantos sentidos. Depois a criança gosta do jogo com as palavras, das rimas rimas, do inusitado. A criança é um ser aberto para o mundo. O que não podemos ter é um conceito de criança. Cada criança é um conceito. Algumas podem gostar de poesia e outras de mistério. O importante é gostar de algum estilo. É preciso descobrir.
Como você se definiria enquanto autor?
Como autor sou um operário. Como o pedreiro organiza os tijolos para tornar resistente as paredes, eu organizo as palavras para desfazer os muros, acreditando na liberdade como a maior das conquistas.
E como leitor? Quais os autores que você lê? Que tipo de leitura você aprecia?
Leio sempre e muito. Chego a pensar que ler é superior a escrever. Com a leitura eu somo muitos em mim. Quando escrevo eu divido. Leio muita teoria, gosto de romances, mas a poesia me seduz. Gosto de tantos poetas que fica difícil enumerá-los: Drummond, Bandeira, João Cabral, Cecília Meireles, Affonso Romano, Manuel de Barros, Henriqueta Lisboa, sem falar nos estrangeiros e esquecendo muitos. Não se lê poesia. Poesia a gente relê sempre.
O que o Bartolomeu Campos Queirós gosta de fazer quando não está escrevendo?
Posto de pensar. E pensar é um ato operatório, é tentar adivinhar os avessos. O escritor sabe que o olhar não esgota o olhado. Só a imaginação chega dentro das coisas, no interior. Vou ao cinema, escuto música, adoro ir ao correio, visitar livrarias e estar com amigos. Mas o que faço com alegria é cozinhar. É uma hora em que não penso em nada a não ser nos temperos e sabores.
Que conselho você daria para jovens autores que ainda não conquistaram um espaço no mercado editorial brasileiro?
Eu comecei meu trabalho participando de concursos. Acho um bom caminho. É mais independente, mais isento. Mas encaminhar texto para as editoras é um bom caminho. Os editores, em geral, são bastante sensíveis e abertos para bons textos.

Fernanda Baroni  é uma jornalista apaixonada por Literatura Infantil. O trabalho como repórter, assessora de imprensa, profissional de comunicação de um modo geral, é gratificante, mas não tira o gostinho de um dia dedicar seu tempo à Literatura. Seja para falar sobre esse assunto tão especialmente inesgotável ou para encontrar sua linguagem e seu espaço nessas esquinas de palavras. fernanda.baroni@uol.com.br
FONTEhttp://www.amigosdolivro.com.br/

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Semana “Ler não entra em recesso!”

A Sala de Leitura Erico Verissimo (FaE/UFPel) estará desenvolvendo uma série de eventos nos dias de recesso entre o primeiro e o segundo semestre letivos da UFPel. Todos gratuitos, focam a formação do leitor literário e a formasção do professor na escola.
Apoiada pelo PET Educação, o GELL desenvolve micropolíticas de leitura, entre elas, cursos livres, saraus literários, pesquisas sobre o livro e a literatura e aulas em ambientes.
Acompanhe a agenda do GELL – Grupo de Estudos em Leitura Literária – e participe dos eventos.
Semana “Ler não entra em recesso”.
29/08 – Reunião preparatória para o curso de formação de professores a ser desenvolvido no sábado, dia 02. Foco: Apresentar autores e suas obras para os professores, demonstrar nosso encantamento com os livros e a leitura, afirmar a importância da leitura para crianças e indicar possibilidades de trabalho com autores, livros e gêneros diferenciados. Local: Mercado Central, 18 horas;
30/08 – Publicação no Blog da Sala de Leitura Erico Verissimo dos resultados da pesquisa “A professora, o aluno e os ovos” te representa?
A investigação informal e seus resultados integra a formação das estudantes de Pedagogia Pensando sobre a Profissão, desencadeada em 01 de agosto de 2017 pelo PET Educação.
Disponível em: http://crisalfabetoaparte.blogspot.com.br/2017/08/a-professora-o-aluno-e-os-ovos-te.html

31/06 – Leitura na Escola
Leitura da obra A Zeropéia, de Herbert de Souza, para as seis turmas de crianças entre quatro e cinco da EMEI Ruth Blank.
Local: Parqeu Dom Antonio Záatera, 221. Hora: manha, 9 horas; tarde: 15 horas.
Leitura de Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato para os quintos anos da Escola Fernando Treptow. Manhã, na Biblioteca da escola.

01/09 – Leitura Literária
Leitura de Contos de Horror para os 9º anos da Escola Fernando Treptow.
9 horas da manhã, na Biblioteca da escola.
Leitura de Ana Maria no Castelo Encantadso, de Erico Verissimo, para as crianças da E.E.E.F Padre Anchieta.
Local e hora: Av. Domingos de Almeida, 3150/Areal. 14 horas

02/09 - Curso de Formação de professores em leitura literáaria.
Escola Municipal de Ensino Fundamental Antonio Joaquim Dias. 
Local e data: Sábado, 9 às 11 horas nas dependências da escola.
Av. Cidade de Lisboa, 2640.

A sala de leitura e a formação do leitor literário
As micropolíticas de leitura literária desencadeadas pela Sala da Leitura buscam aproximar universitários dos livros e do gosto por ler, além de estabelecer contato profícuo com a escola e os futuros leitores.
Integrada à Pedagogia, a Sala de Leitura é um espaço de exercício qualificado dos saberes literários como saberes docentes (PAULINO, 2001) e pauta-se pelo argumento de que a formação do mediador literário é estruturador e primordial no exercício cotidiano da docência, nos anos iniciais da escolarização.
Pesquisas indicam que a totalidade das crianças que chegam à escola pública precisam ser alfabetizadas literariamente (ROSA, 2015), uma vez que parte considerável das famílias das quais são oriundas, leem pouco ou quase nada. Resultados de pesquisas recentes indicam que o acesso à leitura literária e o consequente conhecimento de obras, gêneros, ritos e benesses das práticas, ocorre primordialmente na escola e deve ser considerado como um dos saberes na formação de leitores. Sem essa “apresentação”, a leitura tem vida curta nos poucos anos de escolaridade a que são submetidos os filhos das classes populares e cabe ao docente – ao professor dos anos iniciais, especialmente do primeiro ao quinto – ser capaz de tornar o experimento com os primeiros livros e a variedade de gêneros, uma experiência na vida dos pequenos.
Ao propor e desenvolver micropolíticas de leitura, entre elas, visitas guiadas para conhecimento do acervo e do espaço, cursos livres, saraus literários, pesquisas sobre o livro e a literatura e aulas em ambientes, a sala tem se tornado um lócus desencadeador de relações múltiplas com o livro e a literatura, mas, também, com a formação de leitores e mediadores.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Ler literatura é essencial à vida humana: Carta em defesa do PNBE


Literatura nas escolas públicas: conquista da Educação que não deve ser interrompida.

Há 17 anos, a Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil− FNLIJ promove, na cidade do Rio de Janeiro, o Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens, com foco na literatura para esse público. Nesse evento promovido anualmente o livro de literatura é o centro das atenções de crianças, jovens, pais, professores, escritores, ilustradores e especialistas. No Salão FNLIJ do Livro não há livros didáticos, de autoajuda, religiosos, de referência ou educativos. Além da literatura, estão presentes exclusivamente os livros informativos. Toda a programação do evento, que inclui lançamentos, encontros, seminários, performances dos ilustradores e exposições, ocorre em torno da leitura dos textos e da apreciação das ilustrações. Crianças e jovens que visitam o Salão da FNLIJ são presenteados com um livro de literatura. Na cultura escrita, a literatura, por ser expressão máxima da arte de pensar e escrever, é que nos possibilita conhecer e refletir sobre o mundo e as pessoas, de forma livre e, por isto, sua leitura favorece o desenvolvimento da crítica e da criação.
A FNLIJ, criada há 47 anos, é seção brasileira do International Board on Books for Young People/IBBY. Tem como objetivo institucional contribuir para a formação de leitores por meio da literatura. Há 41 anos, criou o Prêmio FNLIJ para eleger os melhores livros para crianças e jovens publicados anualmente no país, contemplando 18 categorias. É a instituição responsável pelas indicações bienais ao Prêmio Hans Christian Andersen, do IBBY, dentre as quais 3 foram vitoriosas, a saber: as escritoras Lygia Bojunga(1982), Ana Maria Machado ( 2000) e o ilustrador Roger Mello ( 2014).
Há 30 anos, com o projeto Ciranda de Livros (1982 a 1985), a FNLIJ foi pioneira em levar livros de literatura para escolas públicas mais carentes do país plantando sementes de bibliotecas. Em 1984, recebeu o reconhecimento da UNESCO com o Prêmio de Alfabetização. Foi a Ciranda de Livros que inspirou o Ministério da Educação e da Cultura/MEC a criar, em 1984, o Programa Sala de Leitura−PSL, a primeira ação do governo federal voltada para a compra e distribuição de livros de literatura para algumas escolas públicas. Em1997, o PSL passou a ser o Programa Nacional Biblioteca da Escola /PNBE, levando a literatura a todas as escolas do Ensino Fundamental do país. A partir de 2000, o PNBE se expandiu para o Ensino Médio e hoje podemos afirmar que todas as crianças e jovens das escolas públicas têm garantido o direito aos livros de literatura. Por sua vez, alguns estados e municípios criaram seus próprios programas, ampliando a presença desses livros nas escolas.
Com o PNBE e os outros programas locais conquistamos um objetivo de valor inestimável para a Educação brasileira: a garantia do acesso de crianças e jovens à cultura escrita, por meio da literatura, com as melhores histórias do Brasil e do mundo, um patrimônio universal que todos têm direito de conhecer, desde cedo, como afirma a escritora e acadêmica Ana Maria Machado.
Considerando que, na perspectiva de uma formação humanista, a leitura literária é o principal alicerce para a educação de nossas crianças e jovens, a FNLIJ, a mais antiga instituição no país dedicada a esse tema, faz um apelo ao Exmo. Ministro − que, como leitor, certamente conhece o valor desse simples mas poderoso ato para viver com qualidade − que preserve de possíveis cortes orçamentários a compra de livros de literatura para as escolas públicas.
Ao agir de maneira inversa ao que ocorre em momentos de crise, quando os cortes de verbas costumam atingir primeiramente as ações relacionadas à cultura e às artes, não interromper o programa anual de compra e distribuição de livros de literatura para crianças e jovens das escolas públicas é uma demonstração de quão importante o governo brasileiro considera garantir o direto democrático às histórias que estão nos livros de literatura, principalmente para aqueles cujas famílias não podem comprá-los para si.
Ler Literatura não é uma atividade supérflua ou dispensável. Ler literatura é essencial à vida humana.
A escola pública no Brasil é, para a maioria de crianças, a porta de entrada para o contato com a cultura escrita, que deve ser prazeroso, atraente e permanente como o é para aquelas crianças de famílias que têm condições financeiras e culturais para proporcionar-lhes a magia que é ouvir histórias dos livros.

Elizabeth D’Angelo Serra- Secretária Geral
Conselho Diretor:
Isis Valéria Gomes – Presidente
Marisa de Almeida Borba